Queria saber em qual momento, de
tanta evolução e modernidade, os sentimentos se perderam? Amar alguém,
atualmente, parece se resumir em postagens de redes sociais (pois não se mantém
mais relacionamentos íntimos, mas sim públicos); “eu te amo” repetido a
exaustão para qualquer pessoa, contudo, são apenas palavras vazias de
significado e que não se demonstram por atitudes; envio de fotos de cunho
sexual como prova de interesse, como se as pessoas fossem meros frutos a venda
em um supermercado, vistos e sendo apalpados antes de se decidir a levar para
casa; hoje, diante de um poema sobre o amor ou uma letra de música que
necessite de interpretação mais profunda, os jovens riem, consideram
ultrapassados, melosos, alheios à realidade. Meninas preferem ser denominadas
por termos de baixo calão como nas músicas de funk ou, como nas letras do sertanejo, dito “universitário”, que
expressam a vontade de um sujeito em “pegá-las” e fazer coisas designadas por onomatopéias
ou palavras sem sentido algum, porém que expressam apenas a intenção sexual.
Se essa é a forma de amar dessa
época, confesso que estou fora de moda e prefiro continuar assim. Ainda me
emociono ao ler um poema, pois sei que para expressá-lo o poeta arranca de si o
que sente e transborda suas emoções sobre o papel; ainda lágrimas escorrem por
minha face diante de uma música bem executada, de sua melodia e letra, que
trazem lembranças ou fazem sonhar; ainda acredito que cartas de amor escritas
de próprio punho, mesmo que com alguns errinhos ortográficos tenham mais valor
que textos de Internet que podem ser facilmente apagados; ainda acho bonito
passeios de mãos dadas, uma flor roubada, um chocolate surpresa, um filme
debaixo das cobertas e tantas outras ações que denotem companheirismo; gestos
de ternura que valem mais que todos os verbetes de um dicionário.
Também acredito que respeito é a base de tudo e que fidelidade é algo muito importante sim! Relações abertas,
flertes por aplicativos de celulares, ménage
a trois... Lamento, mas isso não é para mim. Prefiro ser de uma pessoa
apenas e dedicar meu afeto a um único alguém, pois, parafraseando Charles
Chaplin, meu coração não é estrada para muitos transitarem, mas sim um lugar
onde só fica quem realmente faça por merecer e não há necessidade de se
explicar o que isso quer dizer, pois o entendimento é claro.
É possível que, como amante da
Literatura e das Artes, eu tenha lido demais ou visto muitos filmes que
ajudaram a moldar minha personalidade; que tenha valores que ninguém mais dê
créditos, no entanto, continuarei assim, a acreditar que existam pessoas
verdadeiras e sentimentos verdadeiros e, se isso for ilusão, ainda é melhor que
aceitar essa realidade degradante.
Amar por inteiro, com
intensidade, com sinceridade, com entrega e troca pode não ser valorizado por
essa geração que se transforma em máquinas de banalidades, como mais uma vez Chaplin
previu em um dos seus textos. Mas, fico feliz em ser “quadrada”, “retrógrada”,
pois mesmo na contramão desses avanços (se deixar de amar de fato e se importar
com o outro seja um avanço...), eu permanecerei com a minha ideologia e meus
princípios arcaicos. Antes a beleza de um sentimento que o vazio existencial,
antes amar demais que não amar...
Ana Claudia Brida,
04/08/2015.
