terça-feira, 11 de agosto de 2015

Crônica: Amar está fora de moda?


Queria saber em qual momento, de tanta evolução e modernidade, os sentimentos se perderam? Amar alguém, atualmente, parece se resumir em postagens de redes sociais (pois não se mantém mais relacionamentos íntimos, mas sim públicos); “eu te amo” repetido a exaustão para qualquer pessoa, contudo, são apenas palavras vazias de significado e que não se demonstram por atitudes; envio de fotos de cunho sexual como prova de interesse, como se as pessoas fossem meros frutos a venda em um supermercado, vistos e sendo apalpados antes de se decidir a levar para casa; hoje, diante de um poema sobre o amor ou uma letra de música que necessite de interpretação mais profunda, os jovens riem, consideram ultrapassados, melosos, alheios à realidade. Meninas preferem ser denominadas por termos de baixo calão como nas músicas de funk ou, como nas letras do sertanejo, dito “universitário”, que expressam a vontade de um sujeito em “pegá-las” e fazer coisas designadas por onomatopéias ou palavras sem sentido algum, porém que expressam apenas a intenção sexual.

Se essa é a forma de amar dessa época, confesso que estou fora de moda e prefiro continuar assim. Ainda me emociono ao ler um poema, pois sei que para expressá-lo o poeta arranca de si o que sente e transborda suas emoções sobre o papel; ainda lágrimas escorrem por minha face diante de uma música bem executada, de sua melodia e letra, que trazem lembranças ou fazem sonhar; ainda acredito que cartas de amor escritas de próprio punho, mesmo que com alguns errinhos ortográficos tenham mais valor que textos de Internet que podem ser facilmente apagados; ainda acho bonito passeios de mãos dadas, uma flor roubada, um chocolate surpresa, um filme debaixo das cobertas e tantas outras ações que denotem companheirismo; gestos de ternura que valem mais que todos os verbetes de um dicionário.

Também acredito que respeito é a base de tudo e que fidelidade é algo muito importante sim! Relações abertas, flertes por aplicativos de celulares, ménage a trois... Lamento, mas isso não é para mim. Prefiro ser de uma pessoa apenas e dedicar meu afeto a um único alguém, pois, parafraseando Charles Chaplin, meu coração não é estrada para muitos transitarem, mas sim um lugar onde só fica quem realmente faça por merecer e não há necessidade de se explicar o que isso quer dizer, pois o entendimento é claro.

É possível que, como amante da Literatura e das Artes, eu tenha lido demais ou visto muitos filmes que ajudaram a moldar minha personalidade; que tenha valores que ninguém mais dê créditos, no entanto, continuarei assim, a acreditar que existam pessoas verdadeiras e sentimentos verdadeiros e, se isso for ilusão, ainda é melhor que aceitar essa realidade degradante.

Amar por inteiro, com intensidade, com sinceridade, com entrega e troca pode não ser valorizado por essa geração que se transforma em máquinas de banalidades, como mais uma vez Chaplin previu em um dos seus textos. Mas, fico feliz em ser “quadrada”, “retrógrada”, pois mesmo na contramão desses avanços (se deixar de amar de fato e se importar com o outro seja um avanço...), eu permanecerei com a minha ideologia e meus princípios arcaicos. Antes a beleza de um sentimento que o vazio existencial, antes amar demais que não amar...

Ana Claudia Brida, 04/08/2015.